Leonard Ravenhil: Um Pregador Perigoso

13 08 2009

Artigo 15

Biografia:

. Nascido em Leeds, em Yorkshire, Inglaterra, foi educado em Ravenhill Cliff College, na Inglaterra. Ele era um estudante de história da Igreja e um perito em matéria de avivamento. Suas reuniões durante os anos de guerra atraíram grandes multidões, e como resultado muitas convertidos se dedicaram ao ministério cristão e ao chamado missionário.

. Em 1939, ele casado uma enfermeira irlandesa, Martha. Os Ravenhills tiveram três filhos: Paulo, David, e de Philip. Paul e David são ministros do evangelho, e Philip é um professor.
. Em 1959, Ravenhill e sua família mudaram Bretanha para os Estados Unidos. Na década de 1960 eles viajaram no interior dos Estados Unidos, promovendo tendas avivalistas e reuniões evangelísticas.
. Na década de 1980, Ravenhill mudou-se para uma casa perto de Lindale, Texas, a uma curta distância do Rancho Last Days Ministries. Ele ensinou na LDM regularmente, e foi um mentor para a Keith Green. Ele também passou algum tempo ensinando no Betânia Colégio de Missões em Minnesota, e algum tempo em Seguin, Texas.
. Foram influenciados, entre outros por Ravenhill Ravi Zacarias, Tommy Tenney, Steve Hill, Charles Stanley, Bill Gothard, Paul Washer, Dan Brodeur, Sean Cabral Myers, Brett Mullett, e David Wilkerson [2].
. Ele era um amigo próximo do pastor e escritor AW Tozer e um escrito.
. Através de seu ensino e livros, Ravenhill abordada as disparidades entre a igreja do Novo Testamento a Igreja do seu tempo e apelou para a adesão aos princípios bíblicos de reavivamento.
. Tozer disse de Ravenhill:
. Para homens como este, a Igreja tem uma dívida para pagar demasiado pesado. O curioso é que ela raramente tenta pagar-lhe enquanto ele vive. Em vez disso, a próxima geração constrói seu monumento e escreve a sua biografia – como se instintivamente e sobriamente precisasse cumprir uma obrigação com geração anterior, em grande medida ignorada.

Citações:

“Se somos fraco na oração, nós somos fracos em toda a parte.”

“Homens dão conselhos; Deus dá orientações.”

“As coisas pelas quais você está vivendo por são dignas de Cristo morrer por?”

“Um homem pecador pára de orar, um homem de oração pára de pecar”

“A única razão pela qual não temos avivamento é porque estamos dispostos a viver sem ele!”

“A oportunidade de uma vida deve ser apreendido dentro da vigência do oportunidade.”

“Como você pode derrubar as fortalezas de Satanás, se você não tem nem a força para desligar a TV?”

“Muitos pastores me criticam por ter tomado o Evangelho tão a sério. Mas será que realmente pensam que no Dia do Julgamento, Cristo vai castigar-me, dizendo,” Leonard, você me levou muito a sério’? “

“Quando há algo na Bíblia que as igrejas não gostam, eles o chamam de ‘legalismo’.”
“Se Jesus tivesse pregado a mesma mensagem que os ministros de hoje pregam, ele nunca teria sido crucificado.”

“A minha maior ambição na vida é estar na lista dos mais procurados do Diabo.”

“Existe uma diferença entre mudar sua opinião, e mudar seu estilo de vida.”

“Um evangelista popular atinge suas emoções. Um verdadeiro profeta alcança sua consciência.”

“Um verdadeiro pastor conduz o caminho. Ele não somente indica o caminho.”

“Nenhum homem é maior do que sua vida de oração. O pastor que não está orando está brincando, as pessoas que não estão orando estão desviando. O púlpito pode ser uma vitrine para mostrar os talentos de uma pessoa; já o quarto de oração não permite nenhum exibicionismo.”

“Se eu perguntar se você esta noite está salvo? Você diz: ‘Sim, estou salvo’. Quando? ‘Oh, fulano de tal pregou, e eu fui batizado e… ‘
Você está salvo? Do que você está salvo? Do Inferno?
Você está salvo da amargura?
Você está salvo da luxúria?
Você está salvo da trapaça?
Você está salvo da mentira?
Você está salvo dos maus costumes?
Você está salvo da rebelião contra seus pais?
Vamos lá, do que você está salvo?”

“Algumas mulheres vão passar trinta minutos à uma hora se preparando externamente para a igreja (colocando maquiagem e roupas especiais, etc.). O que aconteceria se todos nós gastássemos a mesma quantidade de tempo nos preparando internamente para a igreja – com oração e meditação?”

“Todo mundo reconhece que Estevão era cheio do Espírito quando estava realizando maravilhas. Porém, ele era igualmente cheio do Espírito quando estava sendo apedrejado até a morte.”

“Sua doutrina pode ser tão reta como uma arma – e tal qual vazia!”

“E não há espaço para ele na estalagem.
Ele ficou um pouco mais velho e não havia espaço na sua família. Sua família não creu nEle. Ele foi ao templo. Não havia nenhuma sala no templo. O templo ficou contra ele. E quando Ele morreu não havia espaço para enterrá-lo. Ele morreu fora da cidade.
Pois bem por que, em Nome de Deus, você espera de ser aceito em toda parte?
Como é que o mundo não pôde suportar o Homem mais santo que já viveu e pode suportar a você e em mim?
Será que estamos comprometidos? Será que estamos comprometidos?
Será que não temos estatura espiritual?
Será que nossa retidão não reflete sobre a corrupção deles?“

“Existem apenas dois tipos de pessoas: os mortos em pecado e os mortos para o pecado.”

“Que bem faz falar em línguas no domingo, se você esteve usando sua língua durante a semana para amaldiçoar e fofocar?”

“Será que enviamos as nossas filhas ao largo para ter relações sexuais se isto iria beneficiar o nosso país? Contudo, enviamos os nossos filhos para matar quando pensamos que isto iria beneficiar o nosso país!”

“Se um cristão não está tendo tribulação do mundo, há algo errado!”

“Será que o mundo está crucificado para você esta noite? Ou será que ele o fascina?”

“Esse mundo lá fora não está esperando uma nova definição de Cristianismo, está esperando uma nova demonstração de Cristianismo.”

“A Igreja costumava ser um barco resgatando os que perecem. Agora, ela é um cruzeiro recrutando o promissor.”

“Você pode ter todas as suas doutrinas de forma correta, muito embora ainda não tenha a presença de Deus.”

“A questão não é se você foi desafiado. A questão é: ‘você foi transformado’?”

Ebook:
. Para baixar o ebook “Por que tarda o pleno Avivamento?” de Leonard Ravenhill clique aqui.

Anúncios




Andrew Murray

8 08 2009

(Um Homem que habitou em Cristo)

andrew_murray.gifAndrew Murray nasceu na África do Sul, em 9 de maio de 1828, e morreu em 1917. Seu pai era pastor vinculado à Igreja Presbiteriana da Escócia, que, por sua vez, mantinha estreita relação com a Igreja Reformada da Holanda, o que foi importante para impressionar Murray com o fervoroso espírito cristão holandês. Andrew experimentou o novo nascimento aos 16 anos, na Holanda. Após isso, dedicou muito tempo, muitas madrugadas, a orar por um avivamento em seu país e a ler sobre experiências desse tipo ocorridas em outros países.

Foi para a Inglaterra com 10 anos e quando retornou para a África do Sul como pastor e evangelista, levou consigo um reavivamento que abalou o país. Seu ministério enfatizava especialmente a necessidade de os cristãos habitarem em Cristo. Isso foi despertado especialmente quando, ao voltar para a África, deparou-se com a grande extensão geográfica em que deveria ministrar. Aí começou a sentir necessidade de uma vida cristã mais profunda. Murray aprendeu suas mais preciosas lições espirituais por meio da Escola do Sofrimento, principalmente após uma séria enfermidade. Sua filha testificou que, após essa doença, seu pai manifestava “constante ternura, serena benevolência e pensamento altruísta”. Essa foi uma expressão de sua fé simples em Cristo e a Ele rendida.

Seu ministério, pela influência recebida do pai, foi caracterizado por profunda e ardente espiritualidade e por ação social. Em 1877, viajou pela primeira vez aos Estados Unidos e participou de muitas conferências de santidade nos EUA e na Europa. Sua teologia era conservadora, e se opunha francamente ao liberalismo. Em seus livros, enfatizou a consagração integral e absoluta a Deus, a oração e a santidade.

Durante os últimos 28 anos de sua vida, foi considerado o pai do Movimento Keswick da África do Sul. Muito dos aspectos místicos de sua obra deve-se à influência de William Law. Murray, assim como Law, Madame Guyon, Jessie Penn-Lewis e T. Austin-Sparks, experimentou o Senhor de forma muito profunda e se tornou um dos mais proeminentes no movimento da vida interior.

Foi acometido de uma infecção na garganta em 1879, a qual o deixou sem voz por quase dois anos. Foi curado dela na casa de uma família cristã em Londres. Como resultado dessa experiência, veio a crer que os dons miraculosos do Espírito Santo não se limitavam à igreja primitiva. Para ele, uma das características da vida vitoriosa era uma profunda e silenciosa percepção de Deus e uma intensa devoção a ele.

Por crer no que Deus pode fazer por meio da obra de literatura, Murray escreveu mais de 250 livros e inúmeros artigos. Sua obra tocou e toca a Igreja no mundo inteiro por meio de escritos profundos, incluindo The Spirit of Christ (O Espírito de Cristo), The Holiest of All (O Mais Santo de Todos), With Christ in the School of Prayer (Com Cristo na Escola de Oração), Abide in Christ (Habite em Cristo), Raising Your Children for Christ (Criando Seus Filhos para Cristo) e Humildade, os quais são considerados clássicos da literatura cristã. Entre tantos que foram ajudados por ele, podemos mencionar Watchman Nee, cujas obras O Homem Espiritual e O Poder Latente da Alma trazem marcas do pensamento de Murray.

(Extraído do livro Humildade – A Beleza da Santidade. © Editora dos Clássicos, 2000.)





Hudson Taylor

8 08 2009

(O Homem que Amou o Senhor e a China)

HudsonTaylorJames Hudson Taylor nasceu em 1832, em Barnsley, Inglaterra, filho de um sacerdote metodista. Com dezesseis anos, creu em Cristo como seu Salvador, numa tarde em que estava sozinho em casa e entediado. A vida religiosa dos pais não o atraía e ele desejava muito os prazeres do mundo. Passando os olhos pela biblioteca do pai, procurando algo com que se distrair, pegou um livro que falava sobre o Evangelho e começou a lê-lo. No mesmo instante, sua mãe, a mais de cem quilômetros de distância, era conduzida por Deus para orar pela salvação do filho. Taylor orou e a oração de sua mãe foi respondida: ele se rendeu ao Senhor. Oração tornou-se, posteriormente, uma das mais preeminentes marcas de seu serviço e ministério.

Desde então, sentiu-se chamado para pregar o Evangelho na China. Por isso, passou a preparar-se dormindo sobre uma esteira, abrindo mão de qualquer luxo, vivendo com o mínimo de alimento necessário e dependendo exclusivamente do Senhor para seu sustento. Assim, aos dezenove anos, Taylor aprendeu que poderia confiar em Deus e obedecer-Lhe em qualquer área de sua vida — aprendeu que se pode levar a sério Deus e Sua Palavra.

Após estudar medicina e teologia, foi para a China em 1854 como um missionário assalariado pela Sociedade para Evangelização da China.

Em 20 de janeiro de 1858, após trabalhar num hospital por quatro anos, ele casou com Maria Dyer (1837? – 1870), missionária, filha de um dos primeiros missionários para a China. Eles tiveram oito filhos, quatro dos quais morreram com menos de dez anos. Por ser ela fluente no dialeto ningpo, ajudou Hudson no trabalho de tradução do Novo Testamento, no que ele investiu cinco anos. Essa tradução foi realizada na Inglaterra e, em 1866, Taylor retornou a China com dezesseis outros missionários e fundou a Missão para o Interior da China (MIC).

Em 1870, sua esposa e dois de seus filhos morreram de cólera. Maria era uma torre forte e um conforto para o marido. Nas palavras dela, ela era “mais intimamente instruída que qualquer outra pessoa com as provações, as tentações, os conflitos, as falhas e quedas e as conquistas” do marido.

Em 1871, Taylor casou-se com Jennie Faulding (1843 – 1903), missionária da MIC. Eles tiveram dois filhos, incluindo Howard, o biógrafo do pai e autor de O Segredo Espiritual de Hudson Taylor (Editora Mundo Cristão). Jennie cuidou do marido em meio a injúrias e doenças, editou o periódico China’s Millions da MIC e tinha um ministério especial entre as mulheres. Nos últimos anos de vida, ela viajou com Hudson, além de falar e escrever e organizar o trabalho da Missão. Partiu para o Senhor em 1904.

Hudson permaneceu na China e quando dormiu no Senhor, em Changsha, em 1905 (antes que os comunistas tomassem o país que ele tanto amava), havia lá deixado 250 pontos missionários com 849 missionários da Inglaterra e 125.000 chineses cristãos dando testemunho do Evangelho. Sua vida é um dos mais impressionantes registros da história do evangelismo e um dos maiores testemunhos da fidelidade do Senhor e a Ele.

(Extraído do livro Cântico dos Cânticos – O Misterioso Romance. © Editora dos Clássicos, 2000.)





Jessie Penn-Lewis

8 08 2009

(Vitória por Meio da Cruz)

4_gNasceu em 1851, filha de Samuel Jones, pastor da Igreja Metodista Calvinista em Neath (Glamorganshire, Gales). Foi convertida ao Evangelho pelo ministério de Evan H. Hopkins em 1o. de janeiro de 1882, com 21 anos. Dele escutou o caminho da vitória por meio da cruz de Cristo. A cruz como identificação do crente com Cristo no poder de Sua morte e a glória de Sua ressurreição: este foi o tema principal dos livros e discursos da sra. Penn-Lewis. Durante a primeira década que se seguiu a sua conversão, sua experiência cristã foi cada vez mais e mais profunda, de modo que se transformou num maravilhoso testemunho de vitória e resoluta obediência. Em 1895, pediram a ela que falasse em uma reunião marcada pela Missão para o Interior da China, fundada por Hudson Taylor. O impacto de sua mensagem foi tal que se decidiu imprimi-la. O título era O Caminho para a Vida em Deus, que vendeu milhares de exemplares.

Posteriormente, foi convidada a falar no exterior, viajando pela Suécia, Rússia, Finlândia, Dinamarca, Alemanha, Suíça, EUA, Canadá, Coréia, China e Índia, (país este em que realizou importante trabalho missionário em Madras), mesmo tendo graves períodos de enfermidade. Falou em várias Convenções de Keswick, ainda que sua paixão pela mensagem da cruz a tenha levado a abandonar qualquer outra atividade e aspecto de seu ministério que não estivesse com ela relacionado.

Em 1909, fundou a revista The Overcomer (O Vencedor), que continua sendo publicada até hoje, a qual, no início, foi somente uma carta de oração enviada aos amigos e interessados em seu ministério. Testemunha excepcional do avivamento galês de 1904, escreveu Guerra Contra os Santos, uma importante obra sobre o tema relacionado com o mundo das manifestações espirituais.

Ela conheceu as obras de Madame Guyon, as quais lhe ajudaram a conhecer a vida profunda com Deus. Por sua experiência com o Senhor, com Sua cruz e Sua Palavra, influenciou homens como Watchman Nee e T. Austin-Sparks.

Casou com 19 anos e não teve filhos. Morreu na Inglaterra, em 1927. Mary Garrard continuou com a revista The Overcomer e publicou uma biografia da sra. Penn-Lewis.

(Extraído do site Editora dos Clássicos, 2002.)





Theodore Austin-Sparks

8 08 2009

(Um Servo Fiel A Cristo e a Sua Cruz)

Austin-SparksTheodore Austin-Sparks converteu-se aos dezessete anos, ao ouvir uma pregação de rua em Glasgow, na Escócia. Dessa forma, iniciou-se uma vida de pregação do Evangelho que durou sessenta e cinco anos. Sparks nasceu em 1910, numa cidade escocesa. Sua mãe conhecia o Senhor e O amava, pois era uma mulher de oração. Theodore cresceu num lar em que sempre havia reuniões de oração, no qual se cria que a Palavra de Deus é a autoridade máxima em todas as questões e no qual se esperava a volta do Senhor Jesus. Sua mãe teve grande influência em sua vida.

Naqueles dias, um dos maiores pregadores na Inglaterra, Dr. G. Campbell Morgan, desejando ajudar a um grupo de jovens no estudo da Palavra, passou a se reunir com eles todas as sextas-feiras, dando-lhes vários estudos bíblicos. Por 52 semanas, Campbell Morgan se reuniu com esses jovens e, dentre os mais brilhantes, estava T. Austin-Sparks. Por esse motivo, ele passou a ser sempre requisitado como preletor em várias Conferências.

Certa vez, ao ministrar numa igreja batista, ele viu uma tremenda mudança vindo sobre toda a congregação. Um após o outro, dentre os conhecidos ali como cristãos, foram sendo salvos. A secretária da igreja, os diáconos, todos foram encontrando o Senhor. Mas, apesar de T. Austin-Sparks ser um conferencista nacionalmente conhecido e requisitado, e apesar de ser um jovem com tanto futuro, ele mesmo sentia uma terrível pobreza em sua vida. Ele sentia que estava proclamando coisas que, na realidade, não eram experiências suas. Ele não tinha dúvidas de que era nascido de novo, mas sentia que estava pregando coisas que ele mesmo não experimentava. Por natureza, Sparks era alguém que se entregava completamente ao que cria, nunca se contentando com uma posição intermediária. Por isso, começou a se sentir um fracasso, pois o que lia na Bíblia não era, para ele, uma experiência própria.

Certo dia, então, ele disse à sua esposa: “Eu vou para meu estúdio; não quero que ninguém me interrompa. Não importa o que aconteça, eu não sairei daquele quarto até que tenha decidido qual caminho vou tomar”. Ele sentia imensamente a necessidade de que o Senhor o encontrasse de forma nova, ou cria que não poderia mais continuar seu ministério. Havia chegado ao final de si mesmo.

Fechado naquele quarto, ele passou a maior parte do dia quieto diante do Senhor, e então, começou a ler a carta aos romanos. Nada aconteceu. Ele a conhecia muito bem, pois a havia ensinado tantas vezes e dava esboços dessa porção das Escrituras. Nada de novo ela lhe apresentava, até que ele chegou ao capítulo 6. Ele mesmo disse: “Foi como se o céu tivesse se aberto, e luz brilhou em meu coração.” Pela primeira vez ele compreendeu que havia sido crucificado com Cristo e que o Espírito Santo estava nele e sobre ele para reproduzir a natureza de Cristo. Isso revolucionou completamente a vida de Sparks. Quando saiu daquele quarto, ele era um homem transformado. A partir daquele momento, ele começou realmente a pregar a Cristo, começou a magnificar o Senhor Jesus.

Logo começou a ensinar o que chamava de “o caminho da cruz”, dando grande ênfase à necessidade da operação interior da cruz na vida do crente. Ele mesmo havia passado por uma crise e aceito o veredito da cruz sobre sua velha natureza, percebendo que essa crise fora a introdução para um desfrutar completamente novo da vida de Cristo, tão grandioso que ele só conseguia descrevê-lo como “um céu aberto”.

Sparks recebeu também grande ajuda espiritual da Sra. Jessie Penn-Lewis, a quem o Senhor dera um claro entendimento sobre a necessidade da operação interior da cruz na vida do crente. Ela viu em T. Austin-Sparks o herdeiro de toda a obra que o Senhor lhe havia dado. Sparks se tornou um pregador e mestre muito querido e popular no meio do chamado “Movimento Vencedor”.

Mas a experiência que Sparks tinha, em vez de lhe abrir as portas para
todos os púlpitos, fechou a maioria delas. Os líderes o temiam, pois
achavam que algo estranho, perigoso e errado havia lhe acontecido. E
assim começaram a opor-se a ele.

Houve um momento em que ele ficou na rua, sem casa para morar com a esposa e filhos, mas o Senhor logo lhe providenciou uma moradia, na rua Honor Oak. Uma senhora que servia ao Senhor como missionária na Índia e havia sido grandemente ajudada através do ministério de Sparks, ouviu dizer de uma grande escola na rua Honor Oak que estava à venda. Então, comprou toda a propriedade e a deu à igreja. Ali veio a ser um local de comunhão cristã e a sede de conferências Honor Oak. Esse foi o lugar onde conferências eram realizadas três ou quatro vezes ao ano, para as quais vinham pessoas de toda a parte.

Em 1937, Watchman Nee se encontrou pela primeira vez com Sparks. Nee havia lido alguns escritos seus e fora grandemente ajudado. Logo após, porém, começou a 2ª Guerra Mundial, e aquelas conferências cessaram, pois o mundo todo estava em turbulência. Todavia, ao terminar a guerra houve um período maravilhoso na história daquela obra e ministério. De 1946 até 1950 houve conferências cheias da presença do Senhor.

Por várias razões, muitos outros sofrimentos vieram à sua vida, mas ele cria que, se por um lado, a cruz envolve sofrimento, por outro, ela é também o segredo da graça abundante. Por ela, o crente é levado a um mais amplo desfrutar da vida de ressurreição e também a uma verdadeira integração na comunhão da Igreja, que é o Corpo de Cristo.

A enorme oposição que Sparks enfrentava era inacreditável. Livros e panfletos eram escritos contra ele, pregadores falavam contra ele, davam-lhe a fama de ser um falso mestre, cheio de ardis. Esse isolamento total a que o colocavam era, de muitas formas, a prova mais dura que ele suportava. Ano após ano, ele ia a Keswick onde, atrás da plataforma, estava escrito: “Todos somos um em Cristo”. Mas sempre que ia ao encontro daqueles com quem já havia trabalhado e estendia-lhes a mão, eles não o cumprimentavam, não lhe dirigiam nem uma só palavra e lhe viravam as costas. Isso era para ele muito mais difícil de suportar do que todos os outros problemas.

No final da vida, Sparks estava só; havia muito poucas pessoas com ele. Campbell Morgan, Jessie Penn-Lewis, F. B. Meyer e A. B. Simpson tiveram grande influência na vida de T. Austin-Sparks. Ele costumava dizer que de todos os pregadores americanos que ele conhecera quando jovem, A. B. Simpson era o mais espiritual e o que falava com mais poder.

Sparks sempre utilizava algumas frases que, na época, praticamente não eram ouvidas em outro lugar. Uma delas era que “a Igreja é o corpo de Cristo”, outra era que “precisamos ter uma vida de Corpo,
que os membros de Cristo são membros uns dos outros”. Eram frases
muito mencionadas por ele, mas algo totalmente novo e desconhecido no mundo cristão da época. Certa vez ele disse: “Podemos tomar a Igreja, que é o Corpo do nosso Senhor Jesus unida ao Cabeça que está à mão direita de Deus, e reduzi-la a algo terreno, fazer dela uma organização humana”. Todas essas frases eram consideradas muito estranhas. No mundo cristão falava-se sobre conversão, estudo bíblico, oração, testemunho, missões, vida vitoriosa. Mas nada se ouvia sobre a Igreja, sobre o Corpo de Cristo, sobre sermos membros uns dos outros. Ele era uma voz profética solitária. Foi isolado, rejeitado, caluniado.

Uma das ênfases de seu ministério era “a universalidade e a centralidade da cruz”. Essa era uma das ênfases do seu ministério. Outra ênfase era a preeminência do Senhor Jesus. Para ele, o Senhor Jesus era o início e o fim de tudo, o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último. Ele via que tudo está em Cristo: toda a nova criação, o novo homem, tudo. Outra ênfase era “a casa espiritual de Deus”. Ele via a Igreja como a casa espiritual de Deus, como a noiva de Cristo, como o Corpo do Senhor Jesus. Seu entendimento sobre a Igreja era muito claro. Ele dizia: “Isso é o coração da história, o coração da redenção”. Por isso, costumava dizer: “Há algo maior do que a salvação”. Por essa razão, as pessoas se iravam contra ele e diziam que falar desse modo não estava correto, não era bíblico. Mas Sparks sempre respondia: “A salvação não é o fim, mas é o meio para o fim. O fim que o Senhor tem é Sua habitação, é Sua casa espiritual, Sua habitação no Espírito, e a salvação é o meio para nos colocar nessa casa espiritual de Deus.”

T. Austin-Sparks foi um grande homem, e os grandes homens têm também grandes falhas. Ele possuía fraquezas, mas a impressão que ficava em quem o conhecia não era dessas fraquezas, mas o fato de que ele sempre magnificava o Senhor Jesus, não apenas por palavras, mas pela sua vida. Sua própria presença trazia algo do Senhor Jesus. Sempre que ele chegava ou falava, recebia-se a perfeita convicção de quão grandioso o Senhor Jesus é. Isso foi algo que o Senhor fez nele de tal forma que sua presença e seu ministério glorificavam o Senhor.

Em abril de 1971, o irmão Sparks partiu para estar com seu amado Senhor, para esperar até o momento em que a esperança da reunião da noiva de Cristo se tornará gloriosa realidade.

(Adaptado da biografia publicada no livro O Testemunho do Senhor e a
Necessidade do Mundo. © Editora dos Clássicos, 2000.)





Watchman Nee

8 08 2009

A Obra Dinâmica de Salvação Realizada por Deus

neeMuitos missionários protestantes foram enviados da Europa e dos Estados Unidos para a China, a partir do século XVI. Nos primeiros anos do século XX, após séculos de trabalho fiel e alavancado pelo martírio de muitos cristãos na Revolução Boxer, o mover do Senhor na China avançou dramaticamente. Muitos pregadores “nativos” foram levantados pelo Senhor e se tornaram a força prevalecente na pregação do evangelho, especialmente em 1920, junto à nova geração de estudantes colegiais e universitários chineses. Um certo número de estudantes brilhantes, entre os quais estava Nee Shu-tsu (Watchman Nee), foram chamados e preparados pelo Senhor para fazer a Sua obra neste período.

Nee Shu-tsu, cujo nome em inglês era Henry Nee, nasceu de pais pertencentes a uma segunda geração de cristãos em Foochow, China, em 1903. Seu avô paterno, na realidade, havia estudado no American Congregational College em Foochow e se tornou um dos primeiros pastores chineses entre os congregacionalistas na província de Fukien, ao norte. Nee Shu-tsu foi consagrado ao Senhor antes de seu nascimento. Desejando um filho, sua mãe havia orado ao Senhor, “Se eu tiver um menino, eu irei apresentá-lo a Ti”. O Senhor respondeu sua oração e, logo após, Nee Shu-tsu nascia. Seu pai, mais tarde, marcou este fato em sua memória, “Antes que você tivesse nascido, sua mãe prometeu apresentá-lo ao Senhor”.

Antes de sua salvação, Nee Shu-tsu era um estudante com um péssimo comportamento, mas ao mesmo tempo, excepcionalmente inteligente. Ele estava sempre entre os primeiros da classe na sua escola, desde a escola primária até sua graduação no Anglican Trinity College em Foochow. Ele tinha muitos grandes sonhos e planos para o futuro e poderia ter tido um grande sucesso no mundo. No entanto, Nee Shu-tsu, familiarizado com o evangelho desde a infância, tinha uma compreensão profunda de que se ele recebesse Jesus como seu Senhor para salvação, ele deveria também servi-lo. Em 1920, depois de uma considerável luta interior, Nee Shu-tsu, então com dezessete anos de idade e ainda um estudante colegial, foi salvo dinamicamente. No momento de sua salvação, todos os seus planos anteriores se tornaram vazios e sua carreira futura foi inteiramente abandonada. Ele testemunhou, “Desde a noite em que fui salvo, eu comecei uma nova vida porque a vida do Deus Eterno havia entrado em mim”. Mais tarde, depois de ter sido levantado pelo Senhor para realizar Sua missão, ele adotou um novo nome em inglês “Watchman” (Sentinela) e um novo nome chinês “To-sheng”, o qual significa “alarme de sentinela”, porque ele se considerava como uma sentinela levantada para soar um alarme na noite escura.

Preparação e Treinamento

Watchman Nee não cursou nenhuma escola de teologia ou instituto bíblico. Sua riqueza de conhecimento a respeito do propósito de Deus, Cristo, as coisas do Espírito e a igreja foi adquirida através do estudo da Bíblia e leitura de livros espirituais cristãos. Watchman Nee se tornou grandemente iluminado e intimamente familiar com a Palavra através de estudo diligente, usando mais de vinte métodos diferentes. Em adição a isto, nos primeiros dias de ministério, ele gastava um terço de seus ganhos com suas necessidades pessoais, um terço ajudando outras pessoas, e o restante um terço com livros espirituais. Ele adquiriu uma coleção com mais de 3,000 dos melhores livros cristãos, incluindo quase todos os escritores clássicos cristãos, do primeiro século em diante. Ele possuía uma habilidade fenomenal para selecionar, compreender, discernir e memorizar material relevante, além de poder entender e reter os principais pontos e princípios espirituais de um livro em uma rápida olhada. Watchman Nee era, portanto, capaz de colher da escritura todos os pontos valiosos e princípios espirituais, de toda a história cristã, e sintetizá-los em sua visão e prática da vida cristã e da vida da igreja.

Watchman Nee se familiarizou com muitos destes livros através Margaret Barber, uma ex-missionária anglicana. Cedo em sua vida cristã, ele recebeu muita edificação e perfeição espiritual dela. Primariamente através de sua amizade com a Srta. Barber, Watchman Nee percebeu que ser um cristão é realmente uma questão da vida divina em nós. Através do pastoreamento dela, ele aprendeu a prestar mais atenção à vida do que à obra e viver sua vida através de Cristo.

Sofrimentos

Watchman Nee teve uma visão inegável e recebeu uma comissão definida do Senhor a respeito da Igreja, e ele sofreu grandemente devido à sua fidelidade a elas. Porque a visão era tão clara e a comissão tão real, não importava para ele se ele fosse rejeitado, sofresse oposição ou condenado. Ele antecipou estas respostas e estava determinado a pagar qualquer preço pela comissão que ele havia recebido do Senhor. Sua fidelidade a esta comissão custou a ele, no fim, a sua própria vida. Suas revelações profundas, combinadas com seus sofrimentos resultaram em um rico ministério de vida, de acordo com a comissão do Senhor para ele: o ministério neotestamentário único de Cristo e a Igreja.

Watchman Nee suportou muitos sofrimentos pelo ministério do Novo Testamento. Devido ao seu absolutismo em seguir ao Senhor e sua fidelidade em cumprir o comissionamento de Deus, ele passou por freqüentes maus-tratos tanto quanto dificuldades por toda a sua vida. Porque ele lutou sem descanso a batalha pelo mover de Deus, ele estava sob constante ataque do inimigo de Deus. Ao mesmo tempo, ele estava debaixo da mão soberana de Deus. Ele reconhecia as intervenções soberanas de Deus à sua volta não somente como um “espinho na carne” divinamente dado; mas, mais importante, como um meio pelo qual Deus era capaz de lidar com ele. Devido a ambos, os ataques do inimigo e as intervenções fiéis feitas por Deus, Watchman Nee viveu uma vida de sofrimento. A maior parte de seus sofrimentos vieram de cinco fontes: pobreza, saúde ruim, variedade de denominações, irmãos e irmãs em dissensão nas igrejas locais e aprisionamento.

Nos primeiros anos do ministério de Watchman Nee, a situação econômica da China era desesperadora. Por causa do que ele havia visto na Palavra, ele estava exercitado para viver pura e simplesmente pela fé em Deus; não somente para seu sustento, mas também em cada aspecto da obra de Deus. Portanto, ele sistematicamente recusou empregos oferecidos por quaisquer pessoas ou organizações. Nos primeiros dias do seu ministério em Shangai, houve vezes em que tudo o que ele tinha para comer a cada dia era um pãozinho.

Watchman Nee também era freqüentemente afligido por sérios problemas de saúde. Nos primeiros onze anos de seu ministério (iniciando em 1922), ele sofreu sozinho, sem uma esposa que pudesse ajudá-lo. Durante este período, ele contraiu tuberculose e sofreu imensamente por muitos anos. Em 1934, com trinta anos de idade, entretanto, Watchman Nee casou-se com uma verdadeira “ajudadora”, Charity Chang, apesar do Senhor não ter dado filhos a eles. Em seus últimos anos, ele também sofreu de desordens estomacais crônicas assim como angina, uma séria doença cardíaca. Ele nunca foi curado desta doença cardíaca e poderia ter morrido por causa dela a qualquer momento. De fato, muitas vezes ele ministrou, não usando de vigor físico, mas através da vida ressurrecta.

Ele também sofreu por causa de sua crença de que, de acordo com a Bíblia, as denominações são um erro, pois promovem a divisão do Corpo único de Cristo. Por causa de sua posição firme em relação à unidade do Corpo de Cristo, que era um testemunho contra as denominações, elas lhe causaram muito sofrimento. Algumas o desprezavam, criticavam, se opunham e faziam o melhor possível para destruir o seu ministério. Elas também espalharam falsos rumores sobre ele e o caluniaram a tal ponto que Watchman Nee uma vez respondeu, “O Watchman Nee retratado por elas também seria condenado por mim”.

Certos irmãos e irmãs que congregavam nas igrejas locais se tornaram outra fonte de sofrimento para Watchman Nee. Para ele, este foi o tipo de sofrimento mais doloroso. Alguns destes irmãos causaram um grande número de problemas devido à sua dissensão, imaturidade, incompetência, teimosia, ambição por posições ou rebelião. Dois anos depois que a vida da igreja começou a ser praticada na cidade natal de Watchman Nee, em 1922, ele foi temporariamente excomungado pelos seus próprios companheiros na obra por causa da sua posição firme em relação à verdade das Escrituras, quando ele protestou a respeito da ordenação de alguns de seus companheiros de liderança, feita por um missionário denominacional. Apesar da maior parte dos irmãos que congregavam com eles ter ficado ao lado de Watchman Nee, o Senhor não o permitiu que fizesse qualquer coisa para se vingar. Este foi um profundo sofrimento para o seu homem natural.

A fonte final de sofrimento foi a sua condenação e aprisionamento sem nenhum fundamento. Watchman Nee foi aprisionado durante a Revolução Cultural Comunista em março de 1952 e foi julgado, falsamente condenado e injustamente sentenciado a quinze anos de prisão em 1956.

Watchman Nee foi um homem de tristezas e sofrimentos. Ao longo de toda a sua jornada seguindo o Cordeiro, ele sofreu muito. Através de todos estes sofrimentos, no entanto, ele aprendeu muitas lições. Eles sofrimentos não somente o ajudaram a confiar no Senhor, como também o beneficiaram em sua luta contra sua carne, seu eu, sua alma e sua vida natural. Devido à sua obediência à estes tratamentos, ele nunca ensinou simples doutrinas e ensinamentos, mas suas mensagens continham a realidade adquirida através de seus sofrimentos. A experiência que ele adquiriu através de seus sofrimentos serviu como uma ajuda imensurável para todos aqueles debaixo do seu ministério e também se tornou uma rica herança para todas as igrejas locais, uma herança adquirida por ele pelo mais alto preço.

Seus sofrimentos também o ajudaram a ter mais revelação do Senhor. Cada tipo de sofrimento com freqüência era acompanhado por uma revelação específica, relativa àquele assunto. Seus sofrimentos, portanto, com freqüência se tornaram a revelação de Deus para ele. Ele foi purificado, tratado, quebrado e constituído pelo Espírito Santo com a vida divina através de seus sofrimentos. Por meio de tais experiências de Cristo em meio ao seu sofrimento, ele, como Paulo, foi preparado e posicionado para receber a revelação de Deus.

Martírio

Watchman Nee foi guiado pelo Senhor para permanecer na China continental apesar da ameaça do comunismo e sacrificar a tudo pela obra do Senhor ali. Neste aspecto, ele foi parecido com o apóstulo Paulo em Atos 20:24: “Mas eu considero minha vida sem valor e nenhuma preciosidade para mim mesmo, de modo que eu possa terminar minha carreira e o ministério que eu recebi do Senhor Jesus…”. A respeito desta decisão, o irmão Hsu Jin-chin testificou o seguinte:

Antes que o irmão Nee deixasse Hong Kong, irmão Lee o aconselhou muitas vezes a não retornar para o continente. Mas o irmão Nee disse, “Se uma mãe descobrisse que a sua casa estivesse em fogo, e que ela fosse a única que estivesse fora da casa, lavando roupa, o que ela faria? Apesar dela perceber o perigo, ela não correria de volta para a casa? Apesar de eu saber que o meu retorno é cheio de perigos, eu sei que muitos irmãos e irmãs estão lá dentro. Como eu posso não retornar?” Irmão Lee acompanhou-o por três vezes do ponto de ônibus de volta para a sua casa em Diamond Hill…

Watchman Nee foi preso pelos comunistas em março de 1952 por professar fé em Cristo tanto quanto por sua liderança entre as igrejas locais. Ele foi julgado, falsamente condenado e sentenciado em 1956 a quinze anos de prisão. Durante todo este tempo, somente à sua esposa foram permitidas visitas a ele. Apesar de haver maneira de sabermos o que ele experienciou do Senhor durante o seu longo período de aprisionamento, suas últimas oito cartas nos dão um vislumbre dos seus sofrimentos, sentimentos e expectativas durante o confinamento. Apesar da censura da prisão não permitir que ele mencionasse o nome do Senhor em suas cartas, em sua carta final, escrita no dia de sua morte, ele fez uma alusão à sua alegria no Senhor: “Na minha doença, eu ainda permaneço alegre no coração”. Watchman Nee estava praticando as palavras do apóstulo Paulo em Filipenses 4:4: “Alegrem-se sempre no Senhor”. Ele morreu em confinamento na sua cela em 30 de maio de 1972. Humanamente falando, ele morreu em miséria e humilhação. Nenhum parente ou irmão ou irmã no Senhor estava com ele. Não houve uma notificação apropriada de sua morte e não houve funeral. Ele foi cremado em 1 de junho de 1972. Sua esposa havia morrido seis meses antes, de maneira que a irmã mais velha dela foi informada de sua morte e cremação. Ele recuperou as suas cinzas e elas foram enterradas com a da Sra. Nee em sua cidade natal de Kwanchao, no condado de Haining, província de Chekiang. Em maio de 1989, as cinzas de Watchman Nee e sua esposa foram transferidas e enterradas no “Cemitério Cristão em Shiangshan, na cidade de Soochow da província de Kiangsu.

O que se segue é um relato da sobrinha do irmão Nee, a qual acompanhava a irmã mais velha da Sra.Nee no trabalho de recolher as cinzas:

Em junho de 1972, nós recebemos uma nota da fazenda de trabalhos forçados avisando que o meu tio-avô havia falecido. A mais velha das minhas tias-avós e eu corremos para a fazenda de trabalhos forçados. Porém, quando nós chegamos lá, soubemos que ele já havia sido cremado. Nós pudemos apenas ver as suas cinzas… Antes de sua partida, ele deixou um pedaço de papel debaixo do seu travesseiro com várias linhas de palavras grandes escritas com uma mão trêmula. Ele queria testificar a verdade que ele havia experimentado por toda a sua vida, até mesmo na hora da sua morte. Esta verdade é — “Cristo é o Filho de Deus que morreu pela redenção dos pecadores e ressuscitou depois de três dias. Esta é a maior verdade do universo. Eu morro por causa da minha crença em Cristo – Watchman Nee”. Quando o oficial da fazenda nos mostrou este papel, eu orei ao Senhor que me deixasse decorá-lo rapidamente…

Meu tio-avô havia morrido. Ele foi fiel até a morte. Com uma coroa manchada com sangue, ele foi estar com o Senhor. Apesar de Deus Todo-Poderoso não ter satisfeito o seu último desejo, que ele pudesse sair vivo para se encontrar com a sua esposa, o Senhor preparou uma coisa ainda melhor – Eles foram reunidos diante do Senhor.

Durante o aprisionamento de Watchman Nee, ele foi fisicamente confinado, mas o seu ministério não foi preso (2 Tim. 2:9). Debaixo da soberania do Senhor, seu ministério se espalhou pelo mundo todo, como uma provisão rica de vida para todos os cristãos sinceros.

Extraído e traduzido do site www.watchmannee.org
COPYRIGHT ©1997-2002 LIVING STREAM MINISTRY.





A. W. Tozer

5 08 2009

(Um profeta do século 20)

“Penso que minha filosofia seja esta: tudo está errado até que Deus endireite.”
Esta afirmação do Dr. A. W. Tozer resume perfeitamente a sua crença e o que ele tentou realizar durante seus anos de ministério. Sua pregação e seus livros concentraram-se inteiramente em Deus. Ele não tinha tempo para mercenários religiosos que inventavam novas formas para promover suas mercadorias e subir nas estatísticas. Tozer marchou ao ritmo de uma batida diferente e, por esta razão, normalmente não acompanhava os passos de muitas das pessoas que participavam de desfiles religiosos.
No entanto, foi esta excentricidade cristã que nos fez amá-lo e apreciá-lo. Ele não tinha receio em apontar o que era errado. Nem hesitou em dizer como Deus poderia endireitar todas as coisas. Se é que um sermão pode ser comparado à luz, então, A. W. Tozer emitia raios laser do púlpito, um feixe de luz que penetrava o nosso coração, exauria nossa consciência, expunha nossos pecados e nos fazia clamar: “O que devo fazer para ser salvo?” A resposta era sempre a mesma: entregar-se a Cristo; procurar conhecê-lo de forma pessoal; crescer para tornar-se como Ele.
Aiden Wilson Tozer nasceu em Newburg (naquele tempo conhecida como La Jose), Pensilvânia, Estados Unidos, em 21 de abril de 1897. Em 1912, sua família deixou a fazenda e foi para Akron, Ohio; e, em 1915, ele se converteu a Cristo. No mesmo instante passou a levar uma vida fervorosa de devoção e testemunho pessoal. Em 1919, começou a pastorear a Alliance Church, em Nutter Fort, West Virginia. Também pastoreou igrejas em Morgantown, West Virginia; Toledo; Ohio; Indianapolis, Indiana; e, em 1928, foi para a Southside Alliance Church, em Chicago. Ali, ministrou até novembro de 1959, quando tornou-se pastor da Avenue Road Church, em Toronto, no Canadá. Um ataque cardíaco, em 12 de maio de 1963, pôs fim àquele ministério, e Tozer foi chamado para a Glória.
Tozer alcançou um número maior de pessoas por intermédio de suas obras do que por suas pregações. Grande parte do que escreveu era refletido na pregação de pastores que alimentavam a alma com as palavras de Tozer. Em maio de 1950, foi nomeado editor de The Alliance Weekly, agora conhecida como The Alliance Witness, que provavelmente foi a única revista religiosa a ser adquirida graças, sobretudo, aos seus editoriais. Certa vez, o Dr. Tozer, em uma conferência na Evangelical Press Association (Associação da Imprensa Evangélica), censurou alguns editores que praticavam o que ele chamava de “jornalismo de supermercado” – duas colunas de propagandas e uma nota de material para leitura. Era um escritor exigente e tão duro consigo mesmo quanto com os outros.
O que há nas obras de A. W. Tozer que nos prende a atenção e nos cativa? Primeiro, ele Tozer escrevia com convicção. Não estava interessado nos cristãos superficiais de Atenas que estavam à procura de algo novo. Tozer mergulhou novamente nas antigas fontes e nos chamou de volta às veredas do passado, tendo plena convicção e colocando em prática as verdades que ensinava.
Tozer era um místico cristão em uma época pragmática e materialista. Ele ainda nos convida a ver aquele verdadeiro mundo das coisas espirituais que transcendem o mundo material que tanto nos atraem. Suplica para que agrademos a Deus enos esqueçamos da multidão. Ele nos implora que adoremos a Deus de modo que nos tornemos mais parecidos com Ele. Como esta mensagem é desesperadamente necessária em nossos dias!
A. W. Tozer recebeu a dádiva de compreender uma verdade espiritual e erguê-la para a luz para que, como um diamante, cada faceta fosse observada e admirada. Ele não se perdeu nos pântanos da homilética; o vento do Espírito soprava e ossos mortos reviviam. Suas obras eram como graciosos camafeus cujo valor não se avalia por seu tamanho. Sua pregação se caracterizava pela intensidade espiritual que penetrava no coração do ouvinte e o ajudava a ver Deus. Feliz é o cristão que possui um livro de Tozer à mão quando sua alma está sedenta e ele sente que Deus está longe.
Tozer, em suas obras, nos entusiasma tanto sobre a verdade que nos esquecemos de Tozer e tratamos de pegar a Bíblia. Ele mesmo sempre dizia que o melhor livro é aquele que faz o leitor parar e pensar por si mesmo. Tozer é como um prisma que concentra a luz e depois revela sua beleza.